Mudança de Regras em M14 — O Magic Acabou, De Novo

por Caue "Chineis" Hattori em 23 de maio de 2013

Armageddon

“I don’t wanna close my eyes
I don’t wanna fall asleep
‘Cause I’d miss you baby
And I don’t wanna miss a thing”

– I Don’t Wanna Miss a Thing – Aerosmith

 

É, dessa vez é definitivo. Estão acabando com o Magic.

E isso vai continuar acontecendo, dia após dia, toda e qualquer mudança de regras “acaba com o jogo que conhecemos”. Foi assim quando tiraram da adorável cadeia de efeitos (chain of effects) para ir para a pilha (stack). Foi assim quando tiraram o dano da pilha, e é assim agora. Meu ponto sobre isso é que se você quer ler um artigo dizendo como essa mudança foi ruim, péssima, diminuidora do fator habilidade  no jogo ou qualquer coisa do tipo, lhe aconselho a ir ler outro artigo. A intenção deste é explicar, tanto pelo que foi publicado como pela minha opinião pessoal, quais as mudanças impactantes das mudanças de regras anunciadas hoje e que entrarão em vigor no dia 13 de julho.

 

Vou começar com as mudanças que ninguém liga. Aliás, você sabe do que estou falando?

Hoje (será que ainda é hoje quando esse artigo for pro ar?), dia 23/05 (olha como eu sou malandro discriminando a data), a Wizards anunciou algumas mudanças de regras que entrarão em vigor com M14. Algumas mudanças são puramente técnicas, e sequer causarão danos, enquanto outras são bem relevantes. Por partes…

 

Indestrutível é agora uma palavra chave

Darksteel Relic

Antes dessa mudança de regras, indestrutível era uma informação sobre a criatura. Ela não pode ser destruída. Só isso. É como “ser azul”, uma mágica é azul, simplesmente, não existe nenhuma habilidade que faça ela ser azul. Isso significa que um Kobolds of Kher Keep, mesmo com uma Humility em jogo, é vermelho. O mesmo valia para indestrutível, até agora. A partir do momento em que Indestrutível é uma habilidade, ela passa a ser afetada por efeitos como o de Humility, e cartas como Boros Charm, que antes afetavam todas as criaturas que você controla (mesmo as que entraram depois do Boros Charm ter sido jogado), agora só afetam as criaturas que já estão no campo de batalha.

Mudança tênue, praticamente irrelevante.

 

Jogando Terrenos

Oracle of Mul Daya

Hoje temos uma regra razoavelmente contraintuitiva. Se eu tenho um Oracle of Mul Daya no campo de batalha e vou jogar um terreno, eu devo especificar qual terreno estou descendo, se é o do meu turno ou o do Oráculo. Duvida? Acessa o gatherer da wizards e confere!

10/1/2009 As you play a land, announce whether it’s your normal land play for the turn or you’re playing it as the result of Oracle of Mul Daya’s first ability (or another such effect that exists).

Quase irrelevante, mas se você fizer o seu terreno do turno, e seu Oráculo morrer, você não pode jogar um segundo. Por outro lado, se você fizer um novo Oráculo (o mesmo que voltou pra sua mão, ou mesmo através de um Momentary Blink, você pode descer mais um terreno.

Com as novas regras, você tem um valor de lands que podem ser jogados no seu turno (que é, por padrão, 1), e outras cartas que alteram esse valor. A checagem é feita da seguinte forma: quantos lands você pode jogar? Quantos lands você jogou? Assim, se você tiver um Oracle of Mul Daya, descer dois terrenos, seu Oráculo morrer e você fizer uma Azusa, Lost but Seeking, você agora pode jogar 3 terrenos no turno (o do turno e mais dois), e já desceu dois, permitindo descer mais um somente. Raramente fará diferença, mas é importante comentar. ;)

 

Sideboard

Burning Wish

As regras para construção de decks em torneios construídos exige que você tenha pelo menos 60 cartas no seu deck e OU 0 OU 15 no seu sideboard. Ter um sideboard com menos cards (digamos, 13), exige que você complete com terrenos básicos, e se não tiver feito isso, pode até perder um jogo! Isso é ao  mesmo tempo desnecessário (qual o problema de seu sideboard ter 14 cartas ao invés de 15?) e causa acidentes bem dolorosos, como perder um jogo por ter esquecido de tirar um card buscado com Burning Wish. Agora, depois do primeiro jogo, a única coisa que você precisa é ter pelo menos 60 cards no deck e no máximo 15 no sideboard. Se quiser adicionar cards sem trocar, fique à vontade, tanto caso tenha esquecido de tirar, como se tiver uma estratégia interessante.

A mudança é brusca, mas serve para proteger as pessoas de erros bobos. Você ainda vai usar 15 cards no sideboard (o máximo possível) e ainda deveria sidear trocando 1 para 1 (mantendo somente as melhores 60).

Mudança tecnicamente grande, e na minha opinião, muito positiva.

 

Troca na Regra de Lendas

Vendilion Clique

Ahhh, finalmente. Essa é a divisora de águas, a que está causando todos os problemas do mundo. Basicamente, a nova regra de lendas permitirá que duas lendas com o mesmo nome estejam em jogo DESDE QUE não tenham o mesmo controlador. Se você faz uma Vendilion Clique, eu posso fazer a minha Vendilion Clique também! Caso você tenha uma Vendilion Clique e faça OUTRA, você deverá escolher uma delas e sacrificar todas as outras. O mesmo vale para os planeswalkers.

Para entendermos um pouco mais sobre as lendas…

No começo, uma Lenda era ícone. Quando você fazia uma Lenda, ela era tão, mas tão lendária, que outras Lendas com o mesmo nome não podiam existir no campo de batalha. Se você possuía uma Ihsan’s Shade, ela dominava a mesa. Qualquer outra Sombra de Ihsan que entrasse no campo de batalha morria automaticamente. Isso era ruim, porque se dois decks utilizavam a mesma carta, quem descia primeiro ficava na vantagem.

Em Kamigawa, isso mudou, e a regra de lendas ficou como conhecemos até hoje — se duas permanentes lendárias com o mesmo nome estão no campo de batalha, então as duas são colocadas no cemitério. Essa regra desagrada o R&D (Research and Development, ou Pesquisa e Desenvolvimento) da Wizards, porque cartas como Faith’s Fetters acabam sendo fortes demais contra um planeswalker (além de você acabar com a permanente que está na mesa, seu oponente não pode jogar um segundo planeswalker igual, pois ele morrerá também). Com a nova regra, você pode simplesmente jogar seu outro Planeswalker e sacrificar o que está encantado. O mesmo vale para lendas.

Outra coisa importante é que você deixa de usar lendas, planeswalkers e Clones como remoção, afinal, os dois podem coexistir. Se você quiser realmente tirar esse Jace do oponente, terá que usar Vindicate ou outra carta do tipo.

Essa mudança é grande. Sério. Show and Tell para Emrakul, the Aeons Torn se torna muito perigoso (se seu oponente também joga um Emrakul, ele te ataca antes), decks Jace Based (baseados em Jace) ficam esquisitos, afinal, se nenhum dos dois tem uma remoção para ele, quem começar antes a usar a habilidade de +2 ganha. Lógico que isso não é nenhuma constante OU fim do mundo. As estratégias vão ter que mudar, se adaptar, e isso deve levar tempo.

 

Se o Magic está perto do fim ou sendo estragado? Duvido. Mesmo que eu não tenha gostado da mudança da regra de lendas (e eu não gostei), consigo enxergar que é assim que vai ser de agora em diante, e que a regra faz sentido (no ponto de vista estratégico, não em flavor).  Mais uma adaptação que teremos que fazer, e fico feliz de saber que a empresa não tem problema em mudar as regras do jogo quando existe uma necessidade disso (mesmo que estratégica).

 

RESUMO DAS NOVAS REGRAS:

  • Indestrutível é agora uma palavra chave de uma habilidade;
  • O limite de lands que você pode jogar por turno não mais é relacionado as fontes que permitem jogar esses lands;
  • Você não precisa sidear 1 pra 1, e seu side agora tem um número de cartas de 0 a 15. O importante é ter no mínimo 60 no Main Deck e no máximo 15 no Sideboard.
  • A regra de lendas e planeswalkers agora só conta entre as permanentes do mesmo controlador, que pode escolher qual sacrificar (e a outra fica na mesa).

 

Qualquer dúvida, enviem nos comentários, responderei o quanto antes!



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35 Responses to “Mudança de Regras em M14 — O Magic Acabou, De Novo”

  • JPFerraro disse:

    Não entendi a diferença de Indestrutível ser uma habilidade agora… O exemplo do Boros Charm me deixou ainda mais confuso…

    Antes dessa regra, quando existiam dois generais em campo no comander, os dois morriam ou no comander já era dessa forma?

    • Caue "Chineis" Hattori disse:

      Bom, HOJE, se você joga um Boros Charm, até o final do turno suas criaturas são indestrutíves. Se você conjura um Boros Charm e depois conjura uma criatura qualquer, ela é indestrutível também. Com a mudança de regras, passa a ser uma keyword, as criaturas ganham a habilidade representada por essa keyword, ou seja, somente as criaturas que já estão no campo de batalha são afetadas pelo Boros Charm (como já hoje com, digamos, Craterhoof Behemot).

  • sandoiche disse:

    Como eu falei pro Marcatti – o dano não vai mais pra pilha, aprovaram o casamento gay e o mundo não acabou. Não vai ser dessa vez nem pro mundo, nem pro MTG.

    Excelente artigo, eu por exemplo não tinha entendido 100% a parte dos terrenos adicionais (embora como você mesmo comentou, raramente essa situação vai acontecer).

    Abraços

    • dessas disse:

      e essa homofobia ai

      • sandoiche disse:

        Muito pelo contrário cara, esse é o argumento da maioria dos reaças/fundamentalistas, e o mundo não acabou nem no Uruguai, nem na França, muito menos vai acabar aqui no Brasil ou no Magic the Gathering.

        Só não façam no MTG que nem o cara lá na França, que se matou só porque aprovaram a lei do casamento gay…

      • Caue "Chineis" Hattori disse:

        Não vi comentário homofóbico, ele comentou a mudança de um paradigma causado pela homofobia, só isso. :P

    • Caue "Chineis" Hattori disse:

      Muito obrigado. :)

  • Renato disse:

    Vai ser bem estranho ver um Jace de cada lado da mesa!

  • Sliver disse:

    Bom dia.

    A uizad tá de zuação só pode, quanto mais mudam as regras mais ruim o jogo fica, até hoje não entendo como lifelink pode ser habilidade estatica, não faz sentido, no manual diz

    when/ whenever é uma habilidade que precisa que algo aconteça pra ela funcionar ou seja é desencadeada e não estatica, mas inventaram isso não sei porque.

    Se souberem me expliquem.

    Acham que é mais facil mudar as regras do que banir Show and Tell.

    No mais é isso.

    • Mas o do lifelink a questão é outra, se fosse desencadeada, ou poderia deixar uma criatura com mais de uma instancia de lifelink, cada uma seria desencadeada separadamente e ai um critura 3/* com 3 instancias ganha 9 de vida, por isso que ele é estática, assim como todas (eu acho) habilidades de “combate”.

    • Caue "Chineis" Hattori disse:

      Likelink deixou de ser como você falou “when this creature deals damage” e passou a significar “Damage dealt by this creature also causes you to gain that much life.” (Dano causado por esta criatura também faz você ganhar essa quantidade de vida). Essa mudança foi feita até por “elegância” (causei e ganhei vida, deveria ficar a 7 de vida por causa do meu 7/7 lifelink, mas perco o jogo com 7 de vida “a ser ganho”). Por mais que tenha sido uma mudança dura, pros jogadores novos é BEM mais fácil de entender.

      Show and Tell não deveria ser banido de uma forma ou de outra, na minha opinião.

  • Krius disse:

    Bom mesmo vai ser olivia voldarem contra olivia voldarem quem pegar o controle da olivia primeiro ganha hahahahaahaha

  • Coitado do baby Jace, perdeu a função de existir dele =P

  • Wendell Oliveira disse:

    Olá,boa tarde.
    Fiquei confuso sobre o indestrutível.
    Agora é uma habilidade,é isso?
    Se eu encantar ela com tipo,”a criatura alvo perde todas as habilidades”.
    Ela perderá o indestrutível?
    Tá fogo de entender,ahuuhahua

  • Sobre as lendas: É como se Napoleão enfrentasse ele próprio numa guerra entre França e Alemanha. Ridículo, mas fazer o que né? As pessoas vão se acostumar com essa regra, mas jamais esquecerão do quão patética ela é.

    • Caue "Chineis" Hattori disse:

      Pô, mas você descartar um feitiço de invocação (do Griselbrand) após fazer um estudo que te dá novas idéias e te faz esquecer outras (Careful Study) e depois reanimar um cadáver que não existe (Animate Dead) que potencialmente mata o corpo original (outro Griselbrand) dessa mesma criatura também não faz taaaanto sentido, e ainda assim a gente gosta do jogo. :)

  • Edgard disse:

    Vai ficar esquisito essa mudança nas lendas (de novo). Um Emrakul de cada lado, um Jace de cada lado… Imagine um mesão só de SaT. No sideboard, é boa a mudança por acabar com uma regra besta, igual á queimadura de mana, que não tinha sentido nenhum.
    Agora, não entendi direito o negócio dos terrenos. Antes disso se a carta que permitia o terreno extra saía, a contagem era resetada e agora não é mais?
    Ah sim Chineis, valeu pelas dicas no outro artigo!

  • Só eu quem gostou de todas as mudanças?

  • Edryk Marques disse:

    Paraaaaaaaaaaaaaaaaaa, essa mudança de lenda É BIZARRRRRRRRRRA !!

    Espero que fique assim só nessa edição de theros e depois a wizards volta como é que é atualmente.

  • Lucas Campos disse:

    Chineis, como vai funcionar a nova “habilidade” indestrutivel com Forja de Aço Negro em jogo ?! Muda alguma coisa ou vai continuar do jeito que é hoje, para os artefatos que estão em jogo e para aqueles que entrarem depois…

  • o q vai ter d novato reclamando pq n veio mana no g2 por tah jogando tipo 70/5
    a regra de lendaria favoreceu apenas aos deck contol, jah eh quase impossivel travar um jace ai o cara vai baixa outro e diz destroi o preso, melhor ainda jogar o (-) do walker depois baixar outro e fazer lo novamente

    • Caue "Chineis" Hattori disse:

      Mas se melhora o meu Jace, melhora também o do oponente. Não melhora os controles, melhora os decks que usam planeswalkers. :)

    • Na verdade, o jogo fica melhor para jogadores pró-ativos, pois quem baixa primeiro o JMS com toda a certeza do mundo terá mais vantagens e sai na frente na race por mais que o oponente baixe outro JMS na sequência.

      Bom, eu gostei das mudanças. Todas :p
      Sempre achei estranho um Jace Beleren entrar no jogo só pra tirar o JMS do jogo.
      Desperta o ódio e a frustração na galera. Isso é uma espécie de antijogo.

      Isso acontece direto no futebol ARIIRIRAIAIairiAri
      Entra um jogador argentino ruim do caramba e catimbeiro só pra ficar provocando o craque do time adversário.
      Aí o craque revida e o juiz expulsa os dois XD

      Enfim. Bom artigo!

  • Victor disse:

    então quer dizer que se uma criatura indestrutível ataca e respondo com um Turn to Frog a criatura também perde o “Indestrutível”, como se indestrutível agora fosse ser tratado como uma “iniciativa” ou “Voar” é uma habilidade com possibilidade de ser alterada no meio do jogo ? entendi direito ?

  • Matheus disse:

    Essa parte do indestrutível eu sempre pensei que fosse uma habilidade, por isso ler o artigo deu um nó na minha mente, mas agora acho que entendi hauhauha..

    E a regra das lendas só me deixa preocupado porque agora está confirmado que Theros vai ser um Kamigawa 2.0: Z U A D O !

  • Bruno Mais disse:

    Imagino que com as regras novas de Lendas e terrenos , a Wizards está engatinhando o sancionamento e organização de torneios Commanders para nível profissional.
    Uma pena pro Legacy que segue para um beco sem saída…

  • mariachi disse:

    É isso mesmo, toda vez que mudam alguma coisa é a maior choradeira e muita demonstração de boçalidade e elitismo. No forum da WotC um cara lá disse que era mais uma mudança que a wizards fazia para deixar Magic compreensível para jogadores de Pokemon. Enfim.

    A questão do flavor nas lendas e PW antes era esquisita também. Meu oponente chama Jace e ele vai lá. Aí eu chamo Jace e ele faz “ah, isso tá confuso, vou embora”. Mas aí eu vou e chamo Jace DE NOVO e ele diz “bom, já que você insiste…” e vem lutar comigo. Sempre dá para encontrar justificativas, mas não dá para exigir que o flavor e as regras estejam em perfeita harmonia 100% do tempo em um jogo tão complexo quanto Magic.

    (Uma justificativa é pensar que o feitiço de summon não é a pessoa em si. Você conjura uma projeção da Lenda ou planeswalker que conjurou, e isso ajuda a explicar porque é possível ter versões diferentes de um mesmo planeswalker em um deck, coisa que já era possível antes.)

    • Daniel Seimetz disse:

      “Você conjura uma projeção da lenda ou Planeswalker que conjurou”. Tô tentando definir qual é pior, se é essa tua frase ou se é o estratagema do Chineis pra provar que uma tática do Reanimator é tão inverossímil quanto duas lendas no campo de batalha. Pra ti aparentemente parece mais possível haver um clone de um ser único no campo de batalha do que 4 páginas iguais em um grimório descrevendo como invocar um Planinauta.

  • DUDUILTON disse:

    A regra de lendas pra mim não tem nada de anormal, é como se fosse no filme “The One” ou como é conhecido no Brasil “O confronto” do Jet Lee, são seres iguais de planos diferentes, e se você ver que o jogo Magic é o duelo entre 2 magos, facilmente 2 magos poderiam saber a mesma magia de invocar a mesma criatura do mesmo plano, como se fosse uma magia de mesmo círculo no D&D ou qualquer outro RPG.

  • Eldon disse:

    Todas as mudanças dos ultimos anos deixa o jogo + justo o que pra mim é sempre bom.

  • Gustavo disse:

    Nao entendi da parte do dano nao vai mais para pilha

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